Pra começar ele não sabe escrever. Então, não o levo a mal.
Mesmo assim ele insiste em querer escrever sobre pessoas, passado e conflitos e disso tudo que é inevitável. Sobre o descontrole que temos sobre a vida e por isso ela ser singularmente estranha. De acreditar que temos mais de uma face e uma das mais bonitas é a Fênix, por nos refazermos a cada lágrima inflamável que nos reduz a cinzas. Do único homem que amou. Por se acostumar com aquilo que dói. De gostar de ler só os poetas mais trágicos ouvir os sambas mais tristes e assistir os filmes mais dramáticos por achá-los mais intensos. De não querer só amar mas viver apaixonado. Da curiosidade nata que o faz querer conhecer, saber e absorver tudo, ambicionando guardar o mundo em si. Do querer só falar e ser ouvido como se suas perguntas existências, medos e problemas fossem os maiores do universo.
E o que ele quer? Eu ainda não sei.
O que sei é que tem dias que ele me toma e eu deixo. Porque ele também sou eu.

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