quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Análogos

                                                  "Este inferno de amar - como eu amo!" Gregório de Matos Guerra



       02:34 da manhã. Em algum lugar na Doca. Uma moça estilo dark, maquiagem expressiva, com um semblante ligeiramente caído. Usava short curto, mas não parecia ter menos segredos por conta disso, sentou-se ao meu lado e acendeu um cigarro. Expirava como se quisesse colocar mais que a fumaça pra fora de si e entre um trago e outro ela simplesmente vira pra mim e pergunta: ‘Quando é que a gente sabe que o amor acabou?” . Silêncio! A gente não sabe. Da mesma forma que não vemos que ele chega não vemos quando ele vai só sentimos quando está ou quando não está mais alí , disse quebrando o breve silêncio.
É assim não é? O amor chega sem bater na porta e sai deixando a porta aberta tudo escancarado . O amor quando chega não se adapta ao que tu és a quem tu és. Tu que tens que te adaptar a ele, tudo sai do lugar pra ele se instalar usurpando teus pilares e acaba se tornando um dos teus pilares fundamentais . Quando desmoronar, nada ficar no lugar . Tudo aquilo que te preenchia ser um vazio enorme e nada parece realmente te sustentar , o amor se foi. Agora é uma casa vazia.
        A moça. Ainda trocamos algumas palavras, que sempre eram perguntas que nos emudecia , nossa conversa acabou junto com o cigarro dela, breve e intenso. Ela foi embora , chegou sem dizer “Oi” e foi embora sem dar “Tchau”, qualquer semelhança é mera coincidência? Éramos dois estranhos mas naquela momento éramos completamente iguais.

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