terça-feira, 30 de agosto de 2011

Siameses


       

        Pra começar ele não sabe escrever. Então, não o levo a mal.
         
        Mesmo assim ele insiste em querer escrever sobre pessoas, passado e conflitos e disso tudo que é inevitável.  Sobre o descontrole que temos sobre a vida e por isso ela ser singularmente estranha.  De acreditar que temos mais de uma face e uma das mais bonitas é a Fênix, por nos refazermos a cada lágrima inflamável que nos reduz a cinzas. Do único homem que amou.  Por se acostumar com aquilo que dói. De gostar de ler só os poetas mais trágicos ouvir os sambas mais tristes e assistir os filmes mais dramáticos por achá-los mais intensos. De não querer só amar mas viver apaixonado.  Da curiosidade nata que o faz querer conhecer, saber e absorver  tudo,  ambicionando guardar o mundo em si. Do querer só falar e ser ouvido como se suas perguntas existências, medos  e problemas fossem os maiores do  universo.
         
        E o que ele quer?  Eu ainda não sei. 

        O que sei é que tem dias que ele me toma e eu deixo. Porque ele também sou eu.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Análogos

                                                  "Este inferno de amar - como eu amo!" Gregório de Matos Guerra



       02:34 da manhã. Em algum lugar na Doca. Uma moça estilo dark, maquiagem expressiva, com um semblante ligeiramente caído. Usava short curto, mas não parecia ter menos segredos por conta disso, sentou-se ao meu lado e acendeu um cigarro. Expirava como se quisesse colocar mais que a fumaça pra fora de si e entre um trago e outro ela simplesmente vira pra mim e pergunta: ‘Quando é que a gente sabe que o amor acabou?” . Silêncio! A gente não sabe. Da mesma forma que não vemos que ele chega não vemos quando ele vai só sentimos quando está ou quando não está mais alí , disse quebrando o breve silêncio.
É assim não é? O amor chega sem bater na porta e sai deixando a porta aberta tudo escancarado . O amor quando chega não se adapta ao que tu és a quem tu és. Tu que tens que te adaptar a ele, tudo sai do lugar pra ele se instalar usurpando teus pilares e acaba se tornando um dos teus pilares fundamentais . Quando desmoronar, nada ficar no lugar . Tudo aquilo que te preenchia ser um vazio enorme e nada parece realmente te sustentar , o amor se foi. Agora é uma casa vazia.
        A moça. Ainda trocamos algumas palavras, que sempre eram perguntas que nos emudecia , nossa conversa acabou junto com o cigarro dela, breve e intenso. Ela foi embora , chegou sem dizer “Oi” e foi embora sem dar “Tchau”, qualquer semelhança é mera coincidência? Éramos dois estranhos mas naquela momento éramos completamente iguais.

Prólogo

       Resolvi usar esse espaço pra fazer alguma coisa. Não será diário, semanal ou mensal. Será de momento, igual agora.  Às vezes vou contar, cantar ou desenhar .. Então, vâmo ver no que vai dar.